Uma Horta Orgânica adubada com superação!

Era uma vez, uma mulher criada na roça que decidiu morar numa praia e, mesmo acometida por 2 cânceres graves, usou a sabedoria da terra para fazer uma linda horta orgânica, um rico jardim e superar seus dias mais difíceis. “Fui criada na roça e tudo que aprendi sobre plantar, fazer horta, jardinagem foi com meu pai”, fala Rosely da Silva Gomes.

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Em uma parte do terreno que aluga, a Rose, como é conhecida pelos moradores da Praia da Armação, fez uma horta e jardim que tem impressionado quem a visita. Muitos, inclusive, estão animados com os legumes, verduras e temperos que ela comercializa, tudo orgânico e ela já vende cortadinho. “Tudo o que a Rose bota a mão cresce, floresce. Ela pega o galho e ele pode tá morrendo, mas depois ‘vem que vem’. ”, afirma a vizinha Andrea, que a conhece há três anos e consome não só os temperinhos, mas também suas mudinhas de plantas.

Com muito orgulho Rose complementa Na minha horta tem bastante coisa. Você pode comprar couve, alho, alface crespa, alface roxa, couve flor, brócolis, pimenta, alho poró, cebolinha, salsinha… E tem as mudinhas também”.

Rose nos ensina muito com o seu existir. Olhando para ela, enquanto trata sua horta, mesmo sob doses fortes de medicamentos usados no tratamento do seu segundo câncer, é possível entender que sua força e determinação vêm da terra. 

Nem tudo são flores e plantas

Devido a um câncer que evoluiu muito rápido Rose precisou  amputar parte da língua e isso prejudicou sua fala, mas não a impediu de continuar se comunicando e lutando pelo que acredita. “As vezes é difícil me entenderem no telefone… Mas quem fala comigo há mais tempo se acostuma e entende bem”.

Essa mulher, que vive na Armação há 6 anos, é conhecida pela sua garra em fazer, produzir, trabalhar e correr atrás, mesmo com as sessões de quimioterapia. “Alguns dias são mais difíceis porque os remédios são fortes, mas isso acabou sendo um presente porque conquistei uma nova família. Muitas pessoas me ajudam quando preciso”.

Com seu carisma, Rose acabou sendo acolhida por vários moradores da região, que sempre estão zelando por ela e ajudando quando precisa. “Eu gostaria de aproveitar a entrevista para agradecer a todos que sempre me salvam nos momentos em que não dou conta de mim“, confessa Rose, emocionada.

No hospital, quem a acompanha de perto são os médicos e enfermeiras. “Eu sou bem cuidada no Cepon. Uma vez me deixaram na UTI, mesmo sem precisar porque só ali poderia ter a companhia deles. Cheguei a pesar 30 quilos nessa época”.

O que aconteceu na vida de Rose poderia tê-la feito entregar os pontos, mas mexendo na terra ela ganhou a força que precisava para lutar por si todos os dias.

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Deu vontade de ajudar a Rose?

Para ajudar a Rose a continuar na sua luta diária, você pode:

1. Adquirir seus legumes, verduras, temperos ou mudinhas de plantas;

2. Doar potes pequenos, médios ou grandes (de vidro ou plástico).

3. Ceder um espaço não utilizado para uma horta ou jardim. Como o espaço dela não é grande, quando comercializa tudo precisa aguardar o crescimento da próxima safra.

4. Contratá-la para fazer uma horta ou jardim na sua casa.

5. Perguntar se ela precisa de alguma ferramenta ou utensílio. A cavadeira (ferramenta que faz buraco no chão) é emprestada do vizinho.

6. E, para quem acha que ela fica parada enquanto a horta não cresce, ela faz unha e cabelo das mulheres que a procuram. E também cuida de cães quando os vizinhos precisam viajar.

Serviço

» O espaço da Horta da Rose fica na Servidão Alipio Amaro Duarte, quase na esquina com a SC-406 (próximo ao Mercado Ki Sombra), no Bairro da Armação, em Florianópolis.

 » Para comprar os produtos e fazer contato com a Rose o Whatsapp é: (48) 8495-3161 

 » Para acompanhar o trabalho dela siga a Rose no Instagram @rosegomesranney

Talento, necessidade e oportunidade

Hoje, essas três palavras podem traduzir o trabalho da Rose. Além de talentosa ao manejar a terra, vê na horta e no jardim a oportunidade de se sentir útil ao seu bairro e também arcar com suas necessidades.

Rose ama o que faz e, mesmo sem as condições perfeitas de saúde e infraestrutura, segue trabalhando e contribuindo com a comunidade. Algo, cá pra nós, que merece respeito e admiração, da nossa Equipe, dos vizinhos, clientes e quem mais conheça sua história!

Farah Diba Albuquerque

Apaixonada por viagem e turismo, Farah Diba Albuquerque não é manezinha no DNA, mas mora em Floripa há quase 30 anos. Fez duas faculdades: Direito e Jornalismo. Mas assume que a vocação é ouvir histórias, entrevistar pessoas e escrever sobre o que vê e sente. Já morou em vários cantos do arquipélago da magia, mas foi só no Sul da Ilha que encontrou o que precisava para escrever seu primeiro livro. É nesse pacote *{natureza, história e espírito de comunidade}* que descobriu um dos presentes da terra. Jornalista do site Sul de Floripa.