
A Ilha do Campeche, em Florianópolis, é reconhecida pelo seu rico patrimônio arqueológico, paisagens preservadas e regras de visitação controlada. O acesso é regulamentado pelo Programa de Visitação e Conservação, com transporte autorizado e monitoramento ambiental. Visitar a Ilha do Campeche é vivenciar história, natureza e turismo sustentável em um dos destinos mais famosos de Santa Catarina.
Quais são os critérios para visitação da ilha do Campeche?
O Programa de Visitação e Conservação da Ilha do Campeche compreende as ações para a conservação do bem tombado e de seu entorno, incluindo a visitação controlada, com a participação dos signatários e da Equipe de Visitação/Monitoramento da Ilha do Campeche.
Os critérios de visitação estão estabelecidos na Portaria nº 691/IPHAN/SC, de 23/11/2009 e nos Termos de Ajustamento de Conduta, TAC/MPF/SC. Estes, visam a conservação do patrimônio arqueológico e paisagístico da Ilha do Campeche.
Funcionamento anual das visitações
As visitas a Ilha do Campeche estão abertas durante todo o ano, condicionadas às condições climáticas. Existem algumas regras para quem pretende desfrutar a Ilha do Campeche e elas são informadas por monitores credenciados que recepcionam todos os visitantes durante o seu desembarque na Ilha.
Segurança e guarda-vidas
Durante a temporada de verão, de dezembro à março, há guarda-vidas monitorando os banhistas na praia, e a remoção de pessoas, em casos de emergência, é feita somente por barco ou helicóptero.
Sobre o desembarque
Não há trapiche na Ilha do Campeche. Portanto, o desembarque na Ilha é molhado e ocorre o mais próximo possível da faixa de areia. Para desembarcar, você precisará entrar em contato com a água e em casos de dificuldade, poderá contar com o auxílio dos transportadores e guarda-vidas.
ALTA TEMPORADA : – MESES DE DEZEMBRO A ABRIL
Limite diário de visitantes: 800 pessoas – no horário das 9h Às 17h
BAIXA TEMPORADA – MESES DE ABRIL A NOVEMBRO
Limite diário de visitantes 770 pessoas – no horário das 9h às 17h

Transportes para Ilha
A travessia entre Florianópolis e a Ilha do Campeche pode ser feita através de embarcações autorizadas dos pescadores, botes a motor ou escunas regulares. A duração da travessia pode variar conforme a época do ano, o local de partida e de quem realiza o transporte. Contate diretamente o transportador autorizado ou verifique diretamente os vouchers/ingressos do Sistema da Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF) em https://ilhadocampeche.pmf.sc.gov.br/ . Demais dúvidas e orientações sobre o voucher/ingresso diretamente com a PMF.
Saída da Praia do Campeche
Associação de Barqueiros Transportadores da Praia do Campeche (ABTC)
Para mais informações sobre valores, horários e contratação deste serviço, entre em contato diretamente com a empresa, através dos dados abaixo:
@travessiaprailhadocampeche
(48) 99824-8924 | (48)98475-5001
Final da Avenida Pequeno Príncipe, Campeche. Chegando na praia, 200 metros à direita.
Embarcação
O transporte é realizado por botes infláveis motorizados, com capacidade máxima para 6 pessoas.
Duração
O percurso dura entre 5 a 15 minutos, podendo variar de acordo com as condições climáticas.
Local de saída
Acesse a Praia do Campeche pela entrada principal (Av. Pequeno Príncipe), caminhe 200m para a direita da praia em direção aos botes, lá terá um funcionário que o orientará. A ABTC não trabalha com agendamento, portanto a saída ocorre por ordem de chegada.
O que pode levar
Pode levar coolers com comidas e bebidas, cadeiras e guarda-sol.
Saída da Praia da Armação
Associação Couto de Magalhães de Preservação da Ilha do Campeche (ACOMPECHE)
Para mais informações sobre valores, horários e contratação deste serviço, entre em contato diretamente com a empresa, através dos dados abaixo:
@acompeche
(48) 98425-6808
www.acompeche.org.br/
Praia da Armação do Pântano do Sul – Ponta das Campanhas – 2o. Trapiche
Embarcação
O transporte é realizado por embarcações, que saem da Praia da Armação. Os barcos possuem capacidade média de até 20 pessoas.
Duração
O percurso dura entre 30 a 45 minutos, podendo variar de acordo com as condições climáticas.
Local de saída
Acesse a Praia da Armação pela entrada principal, caminhe para a direita da praia em direção a Ponta das Campanhas, no Trapiche da ACOMPECHE.
O que pode levar
Pode levar coolers com comidas e bebidas, cadeiras e guarda-sol.
Saída da Praia da Armação
Associação de Pescadores Artesanais da Praia da Armação (APAAPS)
Para mais informações sobre valores, horários e contratação deste serviço, entre em contato diretamente com a empresa, através dos dados abaixo:
@ilhadocampeche.apaaps
(48) 98430-4097
(48) 99902-3233 | (48) 99677-2784
Av. Antonio Borges dos Santos, Nº 855 – pier praia da Armação – CEP 88066400
Embarcação
O transporte é realizado por 29 embarcações, que saem da Praia da Armação das 9h até as 12h. Os barcos possuem capacidade média de até 20 pessoas.
Duração
O percurso dura entre 30 a 45 minutos, podendo variar de acordo com as condições climáticas.
Local de saída
Acesse a Praia do Armação pela entrada principal, caminhe para a direita da praia em direção ao Trapiche da praia da Armação, onde haverá uma bilheteria no início do trapiche.
O que pode levar
Pode levar coolers com comidas e bebidas, cadeiras e guarda-sol.
Saída da Barra da Lagoa
Associação de Empresas de Transporte Náutico da Barra da Lagoa ( ATBL)
Para mais informações sobre valores, horários e contratação deste serviço, entre em contato diretamente com a empresa, através dos dados abaixo:
Lagomar Ilha do Campeche
(48) 98494-7565
(48) 3307-0870
@lagomarcampeche
R. Amaro Coelho Nº 67, Barra da Lagoa. Florianópolis, SC – CEP 88061-090
Aquarium Passeios Marítimos
(48) 99628-9911
(48) 3232-4019
@escunaaquarium
R. Amaro Coelho Nº 47, Barra da Lagoa. Florianópolis, SC – CEP 88061-090
Escuna Querubim
(48) 98472-5257
@scunaquerubim
R. Amaro Coelho, 77 – Barra da Lagoa, Florianópolis – SC, CEP 88061-090
Embarcação
O transporte é realizado por escunas, com capacidade média para 82 pessoas. Sua estrutura conta com banheiros, WI-FI e tomadas.
Duração
O percurso dura entre 1h e 1:30h, podendo variar de acordo com as condições climáticas, com parada única na Ilha do Campeche.
Local de saída
A saída acontece as 10:00 na praia Barra da Lagoa. O check-in é realizado às 09:15 e o embarque no trapiche da Barra da Lagoa inicia-se às 09:30.
O que pode levar
Pode levar cadeira, guarda-sol, caixa térmica com comida e bebida.

Informações Importantes
Cuidado com os transportes irregulares!
Há somente 4 associações autorizadas e regulamentadas para o transporte de visitantes para Ilha do Campeche, de acordo com o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que regula a visitação e preservação da Ilha. Estas, participam ativamente e contribuem com a manutenção do Patrimônio Nacional.
Os transportadores não signatários , além de não cumprirem com os termos de conservação, são responsáveis por levar um excedente de pessoas a Ilha, maior que a capacidade de suporte. Além disso, os turistas que utilizarem os transportadores não signatários do TAC, não terão prioridade nas atividades de trilhas guiadas, as quais respeitam uma capacidade máxima limitada por grupo.
Fiquem atentos e conscientes! Viagem com segurança e contribuam para a conservação da Ilha do Campeche, utilizando somente as embarcações regulares e autorizadas.
Valores diferenciados de transporte
Crianças de até 5 anos não pagam para realizar o transporte, independente da empresa transportadora.
Orientações para o transporte
É obrigatório permanecer sentado durante a travessia para Ilha, fazendo o uso adequado de colete salva-vidas. Não é permitido fumar ou beber à bordo.
Passeios sujeito às condições climáticas
Todos os meios de transporte para ilha estão sujeitos as condições climáticas. Antes de ir até o local, informe-se através dos meios de contato da empresa contratada se haverá a travessia para Ilha no dia.
Atenção a hora de retorno da ilha
Todos os visitantes retornam com a mesma embarcação que chegaram na ilha. Por isso, não esqueça o nome da sua embarcação e esteja no lugar e hora combinada para retornar da ilha. Organize-se com antecedência para não correr o risco de perder a sua embarcação!

TRILHAS GUIADAS
O Programa de Visitação e Conservação oferece também atividades que permitem conhecer as trilhas, costões, sítios arqueológicos, vegetação, história, assim como o ecossistema marinho da Ilha.
A visitação nas trilhas terrestres e subaquáticas guiadas, inclusive na baixa temporada, somente é possível com o acompanhamento de monitores credenciados pelo IPHAN. Além disso, a abertura das atividades está sujeita às condições do tempo e possui limitação de número de visitantes por grupo.
Ao participar destas atividades, você estará contribuindo diretamente com o Programa de Visitação e Conservação da Ilha do Campeche.

TRILHAS TERRESTRES
Os trajetos das trilhas terrestres guiadas percorrem os sítios históricos, arqueológicos, Mata Atlântica, costões rochosos, fauna e flora e aspectos culturais da ilha e seu entorno.
Os monitores credenciados cumprem o papel de promover a educação patrimonial e transmitir para os visitantes toda a importância histórica de cada ponto da Ilha.
Todas as trilhas são sempre feitas com dois monitores (um na frente do grupo e outro atrás) e têm como ponto de partida a casinha de informações. Vale salientar que as atividades estão sujeitas às condições do tempo e também possui limitação de número de visitantes por grupo.
Trilha do Letreiro
A trilha terrestre guiada do Letreiro dá acesso ao sítio arqueológico que possui a maior concentração de gravuras rupestres da Ilha do Campeche. Este percurso possui como principais atrativos as inscrições rupestres, que se dividem, principalmente, em dois locais – em um paredão de rochas intitulado de letreiro, justamente por possuir várias inscrições rupestres geométricas, e em um bloco de diabásio que possui uma única inscrição intitulada de “máscaras gêmeas‟. Os principais pontos de visitação, são:
Mirante do Triste;
Sítio Arqueológico do Letreiro.
Duração do percurso: 45 minutos à 1h.
Grau de dificuldade: Médio.

Trilha da Pedra Preta do Sul
A trilha terrestre guiada da Pedra Preta do Sul, com destino a face leste da Ilha possui como principais atrativos uma junção de belas paisagens, mirantes, oficinas líticas e muitas inscrições rupestres gravadas sobre o diabásio. Os principais pontos de visitação, são:
Mirante do Triste;
Sítio Arqueológico da Pedra Preta do Sul.
Duração do percurso: 45 minutos à 1h.
Grau de dificuldade: Médio.
Trilha da Volta Leste
A trilha terrestre guiada Volta Leste é a maior das trilhas turísticas do local e ela passa por todos os principais pontos turísticos da ilha, tais como:
Mirante do Triste;
Sítio Arqueológico da Pedra Preta do Sul;
Sítio Arqueológico do Letreiro;
Pedra Fincada.
Duração do percurso: 1h e 30 minutos.
Grau de dificuldade: Médio a alto.
Trilha da Pedra Fincada
A trilha terrestre guiada da Pedra Fincada possui como atrativos principais uma rocha de cerca de nove metros de altura que está equilibrada sobre uma plataforma horizontal (pedra fincada), além de belas paisagens naturais com mirantes que contemplam vistas da Ilha do Campeche e também da Ilha de Santa Catarina.
Duração do percurso: 45 minutos à 1h.
Grau de dificuldade: Fácil/Médio.

VALORES
Os valores variam de acordo com o percurso da trilha e está na faixa de R$15,00 a R$45,00 por pessoa.
AGENDAMENTOS / ALTA TEMPORADA
Na alta temporada não são feitos agendamentos, sendo a contratação feita no local por ordem de chegada.
AGENDAMENTOS / BAIXA TEMPORADA
Na baixa temporada, deve-se verificar com os transportadores se haverá trilhas no dia. Os agendamentos ocorrem na Ilha, no centro de informações das trilhas, e também podem ser consultadas no WhatsApp
TRILHAS SUBAQUÁTICAS
A Trilha Subaquática Guiada (TSG) é uma prática de snorkeling (mergulho de flutuação, sem o uso de cilindros de ar comprimido) guiada por monitores credenciados pelo IPHAN pelas zonas de conservação e uso extensivo para observar a fauna e flora marinhas.
A atividade é uma forma divertida de incentivar a preservação e a consciência de proteção do meio natural, proporcionando a interação entre visitante e ecossistema marinho. Além disso, a abertura das atividades está sujeita às condições do tempo e possui limitação de número de visitantes por grupo.

Trilha Subaquática Guiada
A trilha subaquática guiada funciona somente na alta temporada, e depende basicamente de dois fatores para acontecer: visibilidade e temperatura da água. Os materiais para a prática estão inclusos no valor do serviço, sendo possível utilizar equipamentos próprios.
Duração da atividade: 1h e 20 minutos, com aproximadamente 30 minutos na trilha subaquática.
Grau de dificuldade: Médio.
O que está incluso na atividade:
O aluguel de roupa de neoprene, máscara, snorkel, nadadeiras.
Treinamento do grupo com os equipamentos de mergulho.
O acompanhamento de monitores com boias de segurança.
Transporte até a trilha em embarcação de pesca artesanal.
Os serviços de fotografia durante as trilhas subaquáticas devem ser contratados à parte.
VALORES
Os valores podem variar de acordo com o ano, e estão na faixa de R$80,00 por pessoa.
AGENDAMENTOS
Não são feitos agendamentos. Portanto a contratação do serviço deve ser feita no local, na casinha de mergulho, de acordo com a ordem de chegada.
Informações Importantes
As trilhas terrestres e subaquáticas poderão estar fechadas em função de condições adversas de tempo.
É proibido fumar, portar alimentos, bebidas alcoólicas ou quaisquer itens danosos ao patrimônio arqueológico, paisagístico e natural durante as trilhas.
Na baixa temporada, deve-se verificar com os transportadores se as trilhas terrestres estão abertas.
As trilhas subaquáticas estão abertas somente no verão e não é possível fazer agendamentos.
As trilhas subaquáticas são seguras e não exige conhecimento de natação.
Ao chegar na ilha faça logo sua inscrição na casinha de informações, pois em cada saída há um número máximo de participantes e limite de trilhas diárias também.
REGRAS DE VISITAÇÃO
Não é permitido alimentar os quatis.
Não é permitido a introdução e/ou a remoção de plantas ou animais.
Não é permitido o desembarque de animais, exceto cão guia.
Não é permitido subir em costões rochosos sem permissão.
Não é permitido fazer trilhas, sem o acompanhamento de monitores credenciados do IPHAN.
Não é permitido acampar, nem fazer churrasco na praia e no interior da ilha.
Não é permitido o pernoite de turistas e visitantes, bem como não é permitido adentrar à Ilha sem autorização.
Não é permitido o uso de aparelhos de som potentes, ou quaisquer outros equipamentos que possam perturbar a tranquilidade do local.
ENTRE EM CONTATO
Programa de Visitação e
Conservação da Ilha do Campeche.
@patrimonioilhadocampeche

Conhecida pela sua beleza, a Ilha do Campeche foi tombada como patrimônio arqueológico e paisagístico pelo IPHAN em 2000. É considerada o local que possui a maior concentração de oficinas líticas e gravuras rupestres de todo o litoral brasileiro.

PRÉ- HISTÓRIA
Foram encontrados vestígios de três povos, o que nos permite datar através de gravuras rupestres e oficinas líticas encontradas na Ilha. Os indícios de sua presença encontram-se nos sambaquis e sítios arqueológicos cujos registros mais antigos datam de 4.800 A.C.
Os Sambaquieiros eram pescadores/coletores e já produziam artefatos com ossos e rochas (zoolitos). Em seus sítios arqueológicos temos os Sambaquis, amontoados de moluscos e conchas. Nestes lugares eram acumulados restos de fauna relacionados a dieta e moradia deste povo, além de ser um local sagrado por seus ritos funerários.
O grupo dos Taquara-itararé, eram ceramistas rudimentares e pertenciam ao tronco linguístico -G.
Por fim, os Guaranís pertenciam ao tronco linguístico Tupi. Eles aprimoraram o uso da cerâmica, o que se tornou a principal característica deste grupo. Encontrados por toda região litorânea e hoje conhecidos como Carijós.
Gravura rupestre conhecida como “máscaras gêmeas” na Ilha do Campeche.
Gravuras rupestres no sítio arqueológico conhecido como “letreiro” .
Oficinas líticas: bacias de polimento.
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Os sítios arqueológicos são localidades onde se realizam estudos de arqueologia. Eles são considerados áreas de patrimônio onde é possível obter informações sobre as práticas, valores e estruturas de sociedades antigas.
Estes sítios são importantes para ajudar cientistas e historiadores a entender melhor não apenas como nossos antepassados viviam, mas também como a sociedade e o mundo evolui como um todo. São caracterizados por diversos atributos que indicam, de acordo com seu tipo, as atividades exercidas pelas populações antigas que aqui habitavam, e assim aprender a ler as evidências do passado no presente, para delas tirar conclusões e conhecimentos.
A Ilha do Campeche possui a maior concentração de oficinas líticas e gravuras rupestres do litoral brasileiro. Com mais de 100 petróglifos distribuidos em 10 sítios arqueológicos, 9 estações líticas, monumentos rochosos e sítios de ocupação.
As oficinas de trabalho eram feitas no diabásio onde os povos antigos confeccionavam artefatos em sulcos amoladores e bacias, através de fricção de rochas móveis, areia e água. Os sítios arqueológicos são a marca da I lha do Campeche e protegidos por lei.
COLONIZAÇÃO E A BIODIVERSIDADE
Observamos duas ondas que impactaram diretamente a biodiversidade da Ilha. A primeira, onde a vegetação nativa da Ilha de Santa Catarina começou a ser explorada no século XVIII com a colonização européia. Após este período a Ilha foi também explorada durante o ciclo da caça das baleias onde a madeira era utilizada como fonte de energia para aquecimento dos fornos, para obtenção do óleo de baleias.
A Ilha do Campeche é coberta por vegetação de três formações: mata atlântica pioneira de restinga, costão rochoso e ombrófila densa. Atualmente a Ilha de Santa Catarina possui como vegetação predominante: pastagens implantadas, vegetação secundária pioneira, capoeirinha, capoeira, capoeirões (50% da cobertura vegetal), floresta secundária e apenas 2 % de floresta primária com pouca interferência antrópica, além de manguezais e restingas.
Vegetação de Costões Rochosos
Vegetação de Costões Rochosos
Cutia (Dasyprocta azarae)
Cutia (Dasyprocta azarae)
A segunda onda se deu no ano 1940, quando instalou-se na Ilha do Campeche a Associação de Caça e Pesca Couto de Magalhães, durante estes acontecimentos a vegetação da Ilha sofreu várias alterações a partir da introdução de espécies nativas e exóticas. Além disso, nessa época alguns animais exóticos foram trazidos para caça e alimentação de pescadores.
Com isso, animais que não eram locais como: quatis, macacos, galinhas e patos passaram a fazer parte do ecossistema. Pelo fato de não serem animais típicos, a consequência foi um desequilíbrio local. Com a adequação da Associação de Caça e Pesca Couto de Magalhães à nova realidade, de Preservação da Ilha do Campeche, macacos e patos foram removidos da Ilha. Os quatis permaneceram na Ilha, e hoje encontra-se uma quantidade significativa desses animais, os quais por não possuirem animais predadores e competidores, se reproduzem em larga escala e compõem o ecossistema atual da Ilha.
Atualmente, a fauna da Ilha do Campeche é uma parcela de espécies do continente, ou seja, representantes da fauna do bioma Mata Atlântica.
CAÇA ÀS BALEIAS
A Ilha do Campeche foi usada como apoio para caça às baleias e armazenamento do óleo, também para pesca e plantação de subsistência. A pesca da baleia foi a principal atividade econômica de Santa Catarina no século XVIII. Acontecia principalmente entre os meses de junho e agosto. As baleias de grande porte, normalmente da espécie Eubalaena australis (baleia franca), eram arpoadas semanalmente e o seu óleo usado para iluminação pública das cidades brasileiras.
Baleia franca, espécie Eubalaena australis.
Fonte: Instituto Australis.
Na Ilha do Campeche, os vestígios dos tanques ainda estão visíveis. Nas bibliografias publicadas, só existem referências aos tanques de armazenamento do azeite, mas em dias de maré baixa, inúmeros ossos de baleias aparecem na orla da praia, sugerindo que ali também foi um local que serviu de estrutura para compor o cenário de pesca das baleias na época.
Em 1931 iniciou-se um processo de regulação da caça, envolvendo os Estados que detinham as maiores frotas baleeiras ou que tinham jurisdição sobre as águas onde a caça se fazia. Mas apenas em 1946, com a fundação da Organização das Nações Unidas foi aprovada uma resolução criando a Convenção Internacional para a Regulação da Atividade Baleeira. No âmbito desta convenção um número crescente de espécies foi sendo protegido, com a proibição da caça comercial no ano de 1982.
PATRIMÔNIOCULTURAL BRASILEIRO
Pode-se definir como patrimônio, o conjunto de bens, direitos e obrigações. Entender o que é patrimônio cultural é uma obrigação de todo o cidadão que quer preservar a cultura de seu povo. Esse conceito objetiva proteger o passado, respeitar o presente e transmitir para gerações futuras uma cultura compartilhada e que reflita um conjunto de valores daquela sociedade.
Pelo fato do patrimônio cultural ter uma função social, ele é protegido pelo Estado. Logo, aquele que danifica de alguma forma esses bens pode sofrer punições previstas por lei. O patrimônio cultural tem como instrumento de ação administrativa e jurídica o tombamento, que é o ato que visa impedir que os bens da sociedade sejam violados, destruídos ou descaracterizados.
A finalidade da atuação do IPHAN é promover em todo país, e de modo permanente, o tombamento, a conservação, o enriquecimento e o conhecimento do patrimônio histórico e artístico nacional. Os únicos bens arqueológicos tombados em Santa Catarina são: a Ilha do Campeche e a Ilha do arvoredo.
É papel de todos nós (como comunidade e grupo de indivíduos) exigir do poder público a transmissão e preservação destas identidades e das culturas do lugar como patrimônio da humanidade. Por isso devemos zelar pela Ilha do Campeche com seus valores excepcionais e de significâncias, como compromisso e dever de preservação às futuras gerações.
LEGISLAÇÕES E NORMATIZAÇÃO
A Ilha do Campeche foi tombada como Patrimônio Arqueológico e Paisagístico Nacional em julho de 2000, sendo considerada como um bem da União Federal tombado em sua totalidade pelo IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
O tombamento foi instituído pelo Decreto-lei 25/ 1937 que organiza a proteção do patrimônio cultural nacional.
A gestão deste bem tombado baseia-se na Portaria IPHAN 691/ 2009 que dispõe sobre diretrizes e critérios para proteção, conservação e uso da Ilha do Campeche. A Portaria destina-se a organizar o uso e a ocupação visando a proteção ao Patrimônio Cultural e a Visitação Educativa.
Participam da gestão da Ilha do Campeche, o IPHAN e o Instituto Ilha do Campeche, com o apoio do Ministério Público Federal, bem como instituições públicas e grupos da sociedade civil.
Para pesquisas na Ilha do Campeche é necessário solicitar autorização do IPHAN (Art. 23 – Portaria 691/IPHAN/2009) através do protocolo.

