
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) coordena uma rede inédita de pesquisa internacional que visa investigar as causas da mortalidade de ostras da espécie Magallana gigas, especialmente durante o verão, em cultivos localizados nas baías Norte e Sul de Florianópolis.
A iniciativa reúne cerca de 30 pesquisadores do Brasil, França e Chile, incluindo especialistas da UFSC, UFPB, universidades francesas (Montpellier, Perpignan, CNRS, Ifremer) e chilenas (PUCV, UCN, Ceaza). A rede opera sob os projetos EcoHealth4Sea e Sentinels, com financiamento do CNRS, Capes/Cofecub e apoio da Fapesc.
Com foco na abordagem da Saúde Única, que considera a saúde de humanos, animais e do ambiente, os estudos buscam compreender os fatores responsáveis pelas altas taxas de mortalidade das ostras — que podem chegar a 50% da produção no verão — e propor soluções preventivas.
Segundo o professor Rafael Diego da Rosa, da UFSC, a ostra atua como organismo sentinela, refletindo a qualidade da água e do ecossistema marinho. As pesquisas vão comparar os dados brasileiros com os europeus, onde a chamada Síndrome de Mortalidade da Ostra do Pacífico (POMS) já foi atribuída a infecções polimicrobianas.
Santa Catarina responde por 93,2% da produção nacional de ostras, com destaque para Florianópolis, Palhoça e São José. Em 2023, foram produzidas 1.731 toneladas, majoritariamente da espécie japonesa Magallana gigas.
A sede brasileira do projeto será instalada no Centro de Ciências Biológicas da UFSC, com envolvimento de pesquisadores e alunos de cinco programas de pós-graduação. A expectativa é que o estudo contribua para a segurança alimentar, a sustentabilidade da aquicultura e a proteção da biodiversidade costeira.