Sul de Floripa

Educação inclusiva de Florianópolis emociona família de criança atípica

Educação inclusiva de Florianópolis emociona família de criança atípica 1

A estudante de Direito, Laiz dos Santos, tem 39 anos. É mãe atípica de Yuri, cinco anos, matriculado no Núcleo de Educação Infantil Municipal Coqueiros, na região continental.  “Ele é uma criança muito especial, cheia de luz e muito amado por todos ao seu redor. Apesar das limitações motoras e neurológicas, ele demonstra diariamente força, sensibilidade e uma enorme vontade de interagir com o mundo do jeitinho dele.”

Laiz, que também é mãe de Giovana, 19, e de Hanna, 9,  relata que  ele gosta de música, desenho, brincadeiras com estímulos visuais, interação com outras crianças e momentos de carinho. Yuri tem a síndrome de alfa-talassemia ligada ao cromossomo X com deficiência intelectual (ATR-X),  uma doença genética rara que afeta múltiplos sistemas orgânicos do corpo.

No começo, confessa Laiz, foi um processo cheio de insegurança em deixar a criança no Neim.  “Toda mãe atípica se preocupa se o filho será realmente acolhido, respeitado e incluído. A busca não era apenas por uma escola, mas por um lugar onde ele pudesse pertencer. E, desde então, ele pertence àquele ambiente.”

O maior temor de Laiz era que ele não fosse compreendido, que fosse tratado de forma diferente por causa das suas limitações, bem como receio da dificuldade de adaptação e da falta de preparo das pessoas para lidar com as necessidades de Yuri. “A unidade educativa me surpreendeu bastante, principalmente pela total disposição da equipe em aprender a lidar com ele. Foram destemidos, corajosos e extremamente acolhedores.”

Recentemente, a turminha de Yuri, composta por 23 crianças, participou de  um projeto baseado na história de Peter Pan.  Os pequenos receberam enigmas que os levaram a diferentes destinos. A última saída foi para a Lagoa do Peri, no Sul da Ilha.  No local encontraram um baú e dentro dele havia um jornal relatando o desaparecimento de crianças em Londres, Inglaterra, e que o principal suspeito era o Capitão Gancho. No fim do jornal havia outro enigma sobre um tesouro, Todos, então, fizeram uma pequena trilha contornando a Lagoa e acharam uma caixa, com a imagem do relógio Big Ben e com “moedas de ouro”, feitas em 3D.

No dia seguinte, ao levar o filho para o Neim, Laiz avisou a diretora Sharlene dos Santos que tinha um bilhete na agenda de Yuri para a equipe. Todos riram. E Laiz saiu com lágrimas nos olhos.

 “Ao Neim Coqueiros venho expressar minha felicidade em ter meu filho nesta instituição, sou grata pelo carinho e todo apoio nesta jornada, que vem deixando mais leve e suave. Agradeço de coração à equipe. Meu muito obrigada pelo carinho e por toda força! Yuri amou o passeio e chegou em casa super feliz e radiante.Gente obrigada de coração por incluir meu filho tão bem e com tanto amor e dedicação, não tenho nem como agradecer a tudo que ele vem desenvolvendo junto à equipe.”

Diretora e professoras não se contiveram. Começaram a chorar. “Sem dúvida é um trabalho de entrega coletiva em que todos estão envolvidos. A sensação de fazer parte da história do Yuri, da família dele e caminhar lado a lado com a Laiz  é extraordinário”, salienta Sharlene.

Conforme a mãe atípica, o filho está mais comunicativo, mais atento às interações e mais seguro em diferentes ambientes. “Pequenas conquistas, que para muitos podem parecer simples, para nós têm um significado enorme. É muito satisfatório perceber essa socialização, porque a criança transmite o que sente e vive. E, na escola, eu sei que ele está vivendo grandes emoções. Viver isso junto com ele é realmente muito gratificante.”

No Neim Coqueiros há 158 crianças, das quais, 36 já possuem diagnóstico de algum tipo de deficiência ou estão em análise. A professora regente do Yuri é a Nathália Luciano Cardoso que é acompanhada pela auxiliar de sala Nicole Fernandes e pelas professoras auxiliares de educação especial, Denise Coutinho e Terezinha Mendonça. Fazem parte da equipe ainda que atende o Yuri: a professora auxiliar Cintia Luiz e o professor de educação física Vilmar Both.

Na unidade existe a sala multimeios onde é realizado o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Nesse espaço, em que atuam os professores de educação especial, Andréia Ferrão e Eliseu de Souza, há mobiliários, materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade para as crianças  com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação.